A vida é mesmo maluca, e os caminhos que ela toma, mais ainda

Hoje venho com um tema um pouco diferente. Não venho mostrar imagens bacanas, ou noticias. Hoje trago uma contemplação que tive.

Vocês acreditam no karma? Pois, se olharem à vossa volta, ás vezes, o próprio karma parece que quer vocês acreditem nele. Por vezes apenas temos de ver. Ou seremos nós que já estamos a imaginar coisas que não existem, mas imaginamos que lá estão, para fazer e construir esta ideia de algo, que serve para dar suporte e nos fazer agarrar a uma realidade, que nos conforta?

Toda a gente conhece aquela pessoa a quem, digamos, não queremos tão bem (para colocar em termos meigos). Aquele rufia da escola que passa o tempo a atormentar os mais fracos, aquele alcoólico que, ainda que não possamos ter provas, quase que sabemos que abusa da mulher, aquele dealer que arrasta a juventude local para a dependência, ou aquela vizinha que sabe mais da nossa vida que nos próprios e que não gosta do nosso cão, e por isso o envenena. Se não conhece nenhuma destas histórias, outras conhecerá, porque é natural que haja aquela pessoa que não é possível gostar dela. Se calhar está lá em Brasília, e aparece vezes demais na TV.

Ainda que não gostemos dessas pessoas, obviamente não queremos mal ás mesmas, não desejamos que tenham um azar sério na vida, afinal, somos melhores que eles, e desejar tais coisas, só nos faria ser iguais ou piores do que eles. Somos moralmente superiores. Porque acredito que esse é talvez o único campo em que as pessoas devem almejar serem superiores. Não é na raça, no género, no estrato social, é sim na moral. Na isenção de critica séria que se possa fazer ao caracter da pessoa, poder de manha acordar, olhar-se ao espelho e pensar “ninguém poderá dizer realmente mal de mim com razão”.

Mas a vida corre alem do nosso controlo. E no meio da confusão que nos rodeia, acontecem as coisas mais estranhas. Fazem lembrar que o karma existe ou poderá ser real. Aquele rufia se machuca gravemente quando corre atras de mais uma vítima. O alcoólico é colhido por uma mulher que dirigia seu carro e é ilibada pois o homem ia bêbado, o dealer é apanhado em flagrante e vai preso, a vizinha vê a sua casa ser destruída por um caminhão desgovernado.

O certo é isto não passar de meras coincidências, de casos não relacionados e com o seu grau de ironia. Sobretudo se formos pouco supersticiosos. Mas depois, vemos coisas que são tão flagrantes, ou assim achamos que são, que parte de nós querer acreditar que há algum tipo de força que motiva isto. A sensação de que, todo o ato de maldade poderá, mais cedo ou mais tarde, resultar num pagamento com uma coisa má, parece trazer uma certa paz e confiança para enfrentar a vida. E que há uma justiça maior.

Mas se calhar o karma somos só nós a imaginar coisas. Afinal, o bem e o mal estão sempre a acontecer a nossa volta e a toda a gente, e nós limitamo-nos a ligar coisas que não são ligadas. Certo?

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